O petróleo é de inegável importância nos nossos dias, sendo a principal fonte energética do mundo. O abastecimento barato e contínuo de petróleo é o responsável por tudo aquilo a que chamamos de vida moderna. Automóveis, viagens de avião, ar condicionado, uma infinidade de artigos feitos de plástico, roupa e electrodomésticos acessíveis a toda a população, tudo o que imaginarmos foi possível devido à existência de combustíveis fósseis baratos (petróleo, carvão e gás natural). Durante o século XX a abundância de petróleo e gás natural permitiram que mesmo os mais pobres beneficiassem de todas as suas vantagens.
O petróleo é uma substância incomparável, é fácil de transportar e conservar em tanques metálicos, onde pode permanecer durante bastante tempo sem se deteriorar. Armazena uma quantidade incrível de energia por unidade de volume, e apesar de inflamável tem-se revelado bastante seguro. Além disto é extremamente versátil, pode ser refinado por destilação simples, transformado noutros combustíveis (gasolina, gasóleo, querosene, combustível para avião, fuelóleo) e em vários outros produtos como tintas, plástico, lubrificantes, tecidos e até fármacos. Estima-se que as reservas petrolíferas do nosso planeta antes de começar a extracção se cifrassem em perto de 2 biliões de barris, as previsões actuais dizem que já se consumiu metade desse valor.
A humanidade habituou-se nos últimos cem anos a viver com combustíveis fósseis acessíveis o que permitiu um desenvolvimento e crescimento industrial sem precedentes. Todos sabemos que as reservas petrolíferas são finitas, e que a manter-se o consumo ao ritmo actual elas irão esgotar-se ainda no decorrer do século XXI. Temos de pensar que as dificuldades poderão chegar muito antes de se esgotarem as reservas.
O conceito de pico global da produção petrolífera é extremamente importante nos nossos dias. O pico global é o momento em que se extraiu metade do petróleo existente no nosso planeta. Trata-se da metade mais acessível, mais rentável de explorar, o que significa que a metade restante se situa em locais de difícil acesso, em que o petróleo é de menor qualidade e consequentemente a refinação sai mais cara. Pode acontecer até que já não seja rentável a sua exploração, isto acontecerá quando for necessário por exemplo a utilização da energia equivalente a um barril de petróleo para extrair do solo um barril de petróleo.
As estimativas dos especialistas apontavam para que a dobragem do pico global se situe entre 2000 e 2008. Esta data simbólica significa na prática que nunca mais se extrairá tanto petróleo como no momento da dobragem do pico, independentemente do comportamento da procura. A partir daqui os países estarão a produzir no seu limite sem apresentarem capacidade excedentária, e a tendência de futuro será inevitavelmente de diminuição da produção. As consequências na economia mundial altamente dependente do petróleo serão gravíssimas, estagnação económica, diminuição da procura, instabilidade social, tensão entre os países pelo controlo das reservas remanescentes, será a entrada numa nova era para todos nós.
Vivemos uma época de petróleo caro, recentemente foi ultrapassada a barreira psicológica dos 70 dólares por barril. Não se sabe se provocado pela actual instabilidade no Irão e na Venezuela ou se resultante do facto de se estar a ultrapassar o pico da produção petrolífera e os países estarem a produzir no máximo das suas capacidades não sendo capazes de satisfazer a crescente procura mundial. Este panorama de preços elevados é preocupante para a economia mundial e emerge a necessidade de uma aposta inadiável em fontes de energia alternativas.
Esta urgência é reforçada pelas mais recentes projecções que apontam o prazo de 37 anos para as reservas petrolíferas mundiais, sendo previsíveis graves perturbações no funcionamento das economias a partir do momento em que se começar a reduzir a produção, o que poderá acontecer já na próxima década.
Portugal não foge à regra, somos uma economia altamente dependente das importações petrolíferas e seremos fortemente penalizados em presença de uma crise petrolífera, sendo vital a aposta numa maior eficiência energética e nas energias alternativas principalmente hidroeléctrica, eólica e solar. Portugal precisa de reflectir seriamente na questão da energia nuclear, sendo esta na minha opinião uma opção válida a médio e longo prazo para assegurar a produção de electricidade.
O fenómeno das alterações climáticas conjugado com uma crise petrolífera obrigará a mudanças profundas em todos os aspectos da vida moderna. A agricultura será um dos sectores mais afectados tornando-se a produção de alimentos uma das principais prioridades.
As perspectivas futuras são de austeridade energética e devemos estar todos mentalizados para racionalizar ao máximo, impondo-se da parte das autoridades medidas no sentido da conversão das economias baseadas no petróleo para outras assentes em recursos energéticos alternativos.